O artigo demonstra que o avanço da urbanização incorporou trechos de rodovias federais ao tecido urbano, fazendo com que passem a operar como avenidas sem que tenham sido devidamente adaptadas para essa nova função. Esse processo contribui para a concentração de sinistros graves em segmentos específicos da malha viária. O estudo evidencia que uma parcela muito reduzida dos trechos concentra grande parte das vítimas, o que redefine o conceito de “trecho crítico” como expressão de um risco recorrente e estrutural, e não apenas como locais com muitos registros. Também é destacada a falsa sensação de segurança associada a rodovias classificadas como “boas”, nas quais um pavimento em boas condições pode ocultar falhas de geometria e, principalmente, de sinalização, agravadas pelo contexto urbano denso e multifuncional. Conclui-se que os sinistros graves são previsíveis quando o sistema falha em se adaptar à realidade de uso, indicando a necessidade de uma gestão que priorize esses trechos...